domingo, 27 de dezembro de 2009

Adeus 2009!

O ano de 2009 foi meio esquisito. Não gosto de dizer que foi ruim para não trazer má sorte, mas foi meio esquisito. E eu sobrevivi com dignidade. Não vou dizer que não ficaram sequelas, mas estas cicatrizam depois... Adeus 2009! Não sentirei saudades, mas obrigada mesmo assim!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ALINE E SUA MINISSAIA INDECENTE

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Minissaia, taleban, Brasil


Parece que não adiantou nada chegarmos até aqui. A civilização às vezes anda pra trás (tenho medo de que Jack London tenha razão ao ter escrito "A Praga Escarlate", quando a humanidade, depois de um pico cultural e tecnológico involui pra terra de selvagens). É o caso da minissaia. No Afeganistão, sob o regime Taleban, não pode usar. As muçulmanas e hindus – por motivos religiosos, também não podem. No Brasil, na Uniban, também não pode. E, em caso de uso, é legítimo xingamento, piadinha, humilhação e expulsão da faculdade.

Passamos pela contracultura, pela defesa dos direitos da mulher, pelos direitos civis, pela ditadura e não aprendemos nada.

Botar as pernas de fora já foi símbolo de emancipação, do mesmo modo como quando Chanel colocou calças compridas em mulheres. Usar ou não a minissaia fez parte do empoderamento da mulher. No Brasil, não é mais: virou imoralidade. Ou segundo a Uniban, "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Chegamos a uma civilização medíocre... por favor, me levem pra Vênus.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia de cão


Você percebe que teve um dia ruim quando descobre que não é uma pessoa tão legal quanto gostaria, que as pessoas não acham você uma pessoa tão legal quanto você gostaria, que tá sendo enquadrado pelo chefe, que o seu carro tá na reserva no meio de um engarrafamento quilométrico, que o seu cabelo tá parecendo um poodle depois da natação e que você não pode nem se afogar no chocolate porque descobriu que tem intolerância à lactose.

Pé-de-pato-mangalô-três-vezes!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

McDonalds, protesto, Islândia



A crise econômica derrubou os McDonalds da Islândia. A empresa decidiu sair de lá porque está muito caro manter um McDonalds no país.

A Islândia, que a gente conhece mais como o país da Björk, também ficou conhecida como o país que quase faliu com a crise global. Pois se há males que vêm para bem, a crise mexeu com a população, que mexeu as panelas e na “Revolução das Panelas” tirou o governo anterior. Protestar parece senso comum quando não se tem nada a perder...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nem riqueza, nem fama

Foi numa primavera sem flores, cinzenta e chuvosa de Paris que Ana Clara, brasileira recém-chegada à França, conheceu um espanhol de Cartagena, com antepassados da Andaluzia, talvez ciganos. Ele mesmo não soube dizer. O espanhol, além de advogado, torcedor fanático de futebol e um homem um tanto rude, tinha um dom secreto – o de ler mãos. E por um desses acasos misteriosos de uma vida, a brasileira ficou cara a cara com o destino.

Foi revelado a Ana Clara mais do que ela gostaria de saber. Num instante de descuido, o advogado de Cartagena pegou as mãos de Ana Clara e leu-as.

- Faltam linhas em sua mão, falou o espanhol, como se revelasse algo de muita importância.

- Quais?- perguntou Ana Clara, num tom entre desprezo e curiosidade.

- As da riqueza e da fama, disse o espanhol, sem dó nem piedade.
E num impulso (quem estivesse por ali talvez dissesse que foi por medo), Ana Clara puxou as mãos e deixou o advogado de Cartagena falando sozinho. Que lesse a própria mão e chateasse a si mesmo, pensou ao se levantar.

A brasileira vagou pelas ruas de Paris, quem sabe a Cidade Luz mostrasse algo mais àquela que estava condenada a ser uma pessoa comum. Caminhando, ela olhou para os que estavam por perto e ninguém a notou. Pensou que eram todos “farinha do mesmo saco” e foi desse jeito vulgar que pensou não se reconhecerem por todos estarem incógnitos como gente comum. Talvez fosse a prova do que lhe foi dito.

Não seria rica e nem famosa. Ana Clara então lamentou não ser jamais uma dançarina internacional, nem uma grande cantora ou uma cientista de prêmio Nobel, apesar de não ter talento para nenhuma dessas coisas e nem mesmo tê-las desejado.

Menos inconsolável, ela sentou-se em uma daquelas cadeiras viradas pra rua num daqueles cafés parisienses, também comuns. Montou o quebra-cabeça de sua vida e o que parecia ser desgraça, era destino. Tudo pode ser apagado, mas nunca esquecido. Olhou para as pessoas que passavam pela rua. Não pareciam nem um pouco insatisfeitas em serem apenas o que são. De vez em quando, notou um sorriso no canto dos lábios em algumas daquelas gentes. Teve a idéia louca de perguntar como era levar uma vida ordinária, mas preferiu esperar e ter sua própria experiência.

Algumas horas depois, Ana Clara voltou a procurar o espanhol, agradeceu a leitura esotérica, se desculpou pela fuga e se comprometeu a ser o que sempre seria e o que sempre tinha sido até agora. E percebeu que o desafio era enorme, porque nada impedia uma pessoa comum de ser especial.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maldade humana

Em conversa de bar consideraram que a maldade e a intolerância são parte intrinsecamente genética do ser humano. O ser humano é mau, nasce mau e se torna mau porque faz parte dele. Eu, como pollyanna incurável e otimista de carteirinha, discordo. Primeiro porque ninguém até hoje comprovou que a maldade está nos genes da raça humana, segundo porque nós somos todos um pouco bons e um pouco maus, mas daí a seguir a maldade como forma de vida são outros trocados. E isso vai depender de onde você viveu, com quem você viveu, de que forma você viveu, quais são suas referências e influências culturais, familiares, sociais. Enfim, é complexo descobrir porque alguns são mais maus do que outros e mesmo assim é uma análise fadada ao fracasso porque muitas vezes não existem explicações suficientes para isso.

Também não considero a maldade como essência do humano porque dessa forma estaria justificando todas as aberrações da história: holocausto, fascismo, nazismo, inquisição, genocídios.
Não existe preto no branco, mas escalas de cinza, ou seja, pela estrada da vida cada um comete sua maldadezinha de vez em quando (às vezes se arrependem...) ou suas bondadezinhas aqui e acolá. E tem aqueles que se sobressaem por algum motivo (social? Familiar? Cultural?) no jogo de maldades e de bondades na vida. E muitas vezes, como na África do Sul por exemplo, a violência – prima da maldade – é uma defesa contra o esquecimento.

Na África do Sul a polícia foi terceirizada porque a violência assumiu o país. Lá, as pessoas são pobres. Lá faltam “forças da ordem” pra botar ordem na pobreza e por isso começaram a surgir empresas que oferecem o serviço. E o fazem de forma brutal.

Em um documentário da tevê a cabo eu vi um ladrão pego por uma empresa (aí elas o entregam pra polícia) ser espancado à vara lá na África do Sul. O repórter do documentário, quando viu o ladrão com as mãos algemadas para trás, a camisa encharcada de sangue e os olhos esbugalhados de terror e medo depois da surra, perguntou o que tinha aconteci ao chefe da equipe pegou o elemento. “Demos uma lição nele”, disse o chefe. “Mas não é um exagero brutal?”, perguntou o Theroux. “Se a gente dá uma lição neles, eles nunca mais vão roubar”, explicou o chefe. O fato é que a surra não funciona, porque os ladrões continuam surgindo por toda a África do Sul, paralelamente à miséria.

Eu não justifico a violência e esse caso é o extremo do que pode acontecer quando as pessoas não têm mais nada a perder, ou a ganhar. São todas más?