
Como escreveu Bob Dylan, a gente dá o melhor pra ser apenas o que somos, mas todo mundo só quer mesmo que a gente seja como todo mundo... E como é que não pira o cabeção desse jeito?!
domingo, 31 de maio de 2009
Tudo passa

quinta-feira, 28 de maio de 2009
Da série "Pra morrer de rir"

quarta-feira, 27 de maio de 2009
Descoberto o mecanismo da chatice
O caso da Sra. Gino era espetacular. Ela era chata como um bêbado inconveniente, nunca sabia a hora de parar. Era uma chateação constante em casa, no trabalho, com os vizinhos, no supermercado e até na cama, com o marido, porque amante nenhum suportaria mulher tão insuportável. O problema é que a Sra. Gino contagiava os outros com sua chatice e isso sim era insuportável.
Nem mesmo a etiqueta social podia agüenta-la. Épocas de festas, aniversários e afins de conhecidos e parentes eram desesperadoras (para os conhecidos e parentes, claro). Convites tinham apenas o nome de Dr. Gino, um recado explícito para que deixasse sua desagradável mulher em casa. E se a tal comparecia (de vez em quando algum bom samaritano com crise de consciência a convidava), havia sempre um cantinho bem escondido para acomodá-los, pelo bom andamento da festa.
É muito difícil definir a chatice. O que pode ser dito é que ela se torna um estado permanente em alguns seres que se arrastam pela existência a chatearem o próximo sem se importarem com isso. Quem nunca teve um amigo chato, que atire a primeira pedra. Chato é aquele que manipula a conversa no bar com histórias insuportáveis de feitos impossíveis e que ninguém agüenta mais ouvir. Chato é aquele que NINGUÉM quer dar carona. Chato é aquele que nunca se anuncia para não atraí-lo...
Pois a Sra. Gino era tudo isso e muito mais. Ela era tão chata que no sexo sempre pedia rapidez porque tinha de acordar cedo, nem fingia mais o gozo para não se atrasar e depois do ato ainda fazia cara de quem comeu bolacha cream cracker amanhecida há três dias.
Com tal mulher em casa, Dr. Gino, cientista de boa reputação internacional e uma séria intenção, resolveu pesquisar o mecanismo da chatice. Foram quase 30 anos de investigação e milhares de dólares gastos, porque, ao que parece, chatice é uma questão de saúde pública. A descoberta levou Dr. Gino, um homem de meia-idade bastante carismático, ao fundo da questão: não era a genética e muito menos a educação que criavam a chatice, mas o próprio indivíduo.
A chatice, escreveu em seu artigo publicado na revista Human Nature, referência mundial em descobertas comportamentais, era um sistema de defesa que, assim como os glóbulos brancos no organismo, defendiam o ser humano dos ataques. Mas a chatice, descreveu, era uma falha, uma doença autoimune.
A pesquisa de Dr. Gino causou comoção na comunidade científica internacional, o que lhe garantiu convites para universidades conceituadas e investimentos em futuros trabalhos. Empolgado com o sucesso repentino, certo dia, Dr. Gino chegou em casa e preparou o jantar, comprou um bom vinho, encomendou a sobremesa e na hora do cafezinho pediu o divórcio depois de 30 anos de casado. Afinal, já tinha descoberto o mecanismo da chatice da mulher e a culpa não era dele...
terça-feira, 26 de maio de 2009
Horóscopo sucks

sábado, 23 de maio de 2009
Natal ideológico

- Mas ainda estamos em maio...
- Então, o bom é que ainda temos tempo de criar
- Eu achei que você fosse comunista...
- E daí?
- Pelo que eu saiba Karl Marx não acreditava em Deus... e nem você
- Mas pode ser um cartão de natal ideológico!
- Ah, e diríamos o quê: “Trabalhadores do mundo, Feliz Natal!” ou então “De pé ó vítimas da fome! Feliz Natal!”
- Não, poderia ser uma mensagem positiva de natal, pra ajudar as pessoas a enfrentar o fantasma da crise que ronda o mundo
- Se você quisesse fazer um cartão de 1º de Maio eu entenderia, o que eu não entendo é porque tem de ser o natal
- É porque 1º de Maio já passou e eu quero o de natal
- Mas no natal o que comemoram é o nascimento de Cristo
- Quem inventou isso foram os cristãos
- Sim, e é por isso que eles comemoram...
- Eu posso desconstruir o conceito de natal e tirar esse quê mercadológico e fetichista
- Não, não pode. Natal é natal, não adianta forçar a barra
- Afinal, você está contra ou a favor?
- Eu só estou questionando. Vem cá, de onde você tirou essa idéia?
- Um colega de trabalho me mostrou o cartão de Natal que ele fez no ano passado e distribuiu para os amigos por email
- E era ideológico?
- Claro que não, só tinha um trecho de poesia que ele escreveu
- E você resolveu imitar por quê?
- Porque eu falei pra ele que eu poderia fazer muito melhor
- E o que você ganharia em fazer um cartão de natal melhor do que o dele???? Você por acaso acabou de sair do jardim de infância?! E pelo que eu saiba você nem poeta é...
- Mas eu posso fazer um cartão ideológico, sem poesia...
- Essa é uma das ideias mais ridículas que já ouvi vindas de você
- Tudo bem, mas você vai me ajudar ou não a pensar num cartão de natal?!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Meus grandes amores...

Pablo Neruda e Matilde Urrutia
Eles se conheceram em 1946, voltaram a se encontrar em 1949 e nunca mais se largaram. Neruda era casado, mas amou Matilde e Matilde o amou ainda assim. Poucos anos depois, o poeta se separou e pediu licença à lua para casar-se com Matilde. Em 1959, ele escreveu Cem Sonetos de Amor, todos dedicados a Matilde. Ele morreu em 1973, de câncer, e um tempo antes escreveu um dos versos mais bonitos que já li, e era para Matilde: “Foi tão bom viver enquanto tu vivias...”
Mario Benedetti e Luz López Alegre
Ele conheceu Luz em 1937, quando tinha 17 anos. Casaram-se em 1946 e segundo ele, era uma vantagem e um investimento ter uma esposa com nome tão iluminado... Ela o acompanhou durante os 12 anos de exílio, fugindo da ditadura militar no Uruguai. Anos depois, Luz esquecia-se de apagar as luzes de casa, tendo a certeza de que apagava... já estava com Alzheimer...Benedetti cuidou de Luz até 2006, quando ela partiu. No último domingo, ele se foi também.
José Saramago e Pilar del Rio
Pollyannando...

"Devo encontrar a mim mesmo de novo. Alguns homens parecem encontrar seu destino desde cedo, crescendo naturalmente e com poucas mudanças em direção ao que virão a ser. Mas eu não tenho idéia do que serei ou farei daqui a um mês.
Toda vez que tentei ser algo, fracassei; foi somente ao vogar com o vento que me encontrei, e que mergulhei alegremente em um novo papel. Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo de que gosto.
Nunca me detive por muito tempo em algo que não me agradasse; e agora nem poderia fazê-lo, ainda que quisesse; por outro lado, há bem poucas coisas que não me dão prazer, nem que seja apenas a novidade da experiência.
Amo as pessoas - exceto as esnobes de barriga cheia - e me interesso por todas as coisas novas, velhas e belas que são criadas. Amo a beleza, o acaso e a mudança, não mais tanto no mundo exterior, porém muito dentro de minha mente. Suponho que sempre serei um romântico. "