terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obsessão do momento


Faz duas semanas que eu acordo pensando nessa música, vou trabalhar escutando essa música e até durante a natação só dá a música na cabeça. Não é que a gente se sente rebelde quando canta a plenos pulmões "I want you to be crazy cause you're boring babe when you're straight"...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Morte e vida severina

Emocionar-se diante da vida, pelo que eu saiba, é exclusividade humana. Pois hoje eu perdi o fôlego diante da morte. Perdi mesmo. Foram quase cinco segundos sem respirar, porque respirar me pareceu tão efêmero diante da (exclusiva?) crueldade humana que eu parei. Na tevê, de manhã cedo, mostraram a busca dos bombeiros do Rio por corpos de desaparecidos no Morro do Juramento. A história é ainda mais escabrosa, porque os familiares de desaparecidos acompanharam os bombeiros na busca, na tentativa (porque não há nunca esperança ao encontrar corpos...) de identificar seus mortos.

Na empreitada sórdida morro acima, Seu Adelson, que já procurava seu filho há alguns dias, reconheceu um corpo com as roupas de Adilson, de 18 anos, que namorava uma jovem do Juramento. Só reconheceu as roupas, porque o rosto foi desfigurado por uma tonelada de tiros. Nessa hora, pensei que azar também pode significar morte e Adilson foi vítima do azar de ter nascido pobre, morar na comunidade Furquim Mendes - dominada por uma facção criminosa rival à que atua no Juramento – ter sido confundido com alguém da quadrilha rival, ser executado e ter seu corpo infamemente jogado em um matagal no meio de um morro.

“O coração de pai não vai enganar”, desabafou o pai, achando ter tido sorte encontrar um corpo para enterrar.

Que vida mais severina...


“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida). “


(João Cabral de Melo Neto)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Silêncio


Cada vez mais valorizo o silêncio. Não o silêncio do calar-se, mas aquele que nasce dentro de cada um, esquenta as entranhas e toma conta da alma. É o silêncio original, para o qual quase não temos mais tempo. E são nesses momentos – em que o silêncio cresce dentro de nós – que nos deparamos com nós mesmos, escondidos ali debaixo de um barulho infernal que é a vida de hoje. O silêncio perturba, desestabiliza e provoca milagres: faz cego enxergar, faz surdo escutar e mudo falar.

Pensei nisso enquanto recebia uma bela massagem na manhã ensolarada do domingo passado. Eu, no meu silêncio original, a cabeça à mil com todos os meus pensamentos descontrolados e em certo minuto o massagista disse: “Olha, você pode falar quando quiser tá?!”. Tá. Mas era o meu silêncio. Às vezes eu preciso disso.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vival el pueblo


Às 9h10 do dia 11 de setembro de 1973, o então presidente do Chile, Salvador Allende, resultado da união das esquerdas chilenas, proferia à Radio Magalhães, debaixo da mesa de sua sala no Palácio La Moneda e sob bombardeio pesado de caças americanos, seu último discurso. Ele e mais de três mil pessoas pagaram com a morte a defesa de uma nova sociedade.


"(...)La historia es nuestra y la hacen los pueblos (...) Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor (...)", disse.

Allende, presente, agora e sempre.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Breaking news

- Nos Estados Unidos a cada sete segundos e meio uma família é desalojada de sua casa e 14.000 perdem o emprego por dia

- O juiz espanhol Baltazar Garzon - que condenou Pinochet por crime contra a humanidade - está sendo julgado por investigar o desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a ditadura do general Francisco Franco. Se perder, deixa de ser juiz

- Governo francês recomenda suspender os beijos no país para evitar Gripe A. Pouca gente anda atendendo à recomendação


Pra onde vai esse mundo, minha gente?!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Tempos de delicadeza...


Primeira cena

No fim da noite, a moça morena olha para o dono do café e pergunta:

- Por que você guarda todas essas chaves dentro de um vaso?

- As pessoas as deixaram aqui e nunca vieram buscar

- Me conte alguma história dessas chaves.

- Escolha uma

A moça morena pega a chave com uma abelha de pelúcia como chaveiro e entrega para o dono do café.

- Essa aqui era de um jovem casal que imaginou passar a vida inteira juntos

- E o que aconteceu?

- Vida

- Como assim?

- A vida passou e mudou tudo. Só isso

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A moça morena pergunta para o dono do café o que faz as pessoas deixarem as outras.

- Ás vezes é melhor não saber e outras vezes não há razão nenhuma. É como bolos e tortas. Todas as noites eu tenho aqui cheesecakes e a torta de blueberry. E no final da noite sempre sobra uma torta de blueberry inteira.

- O que tem de errado com ela?

- Nada. Ela simplesmente não foi escolhida...


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A moça russa pára em frente ao café e procura o homem.

- Por que você veio aqui?

Ela não responde, mas pergunta:

- Você ainda guarda todas aquelas chaves?

- Eu guardei pensando no que você disse uma vez sobre “deixar as portas abertas”. O único problema é que mesmo quando as portas estão abertas não significa que vá encontrar a mesma pessoa de antes...


Os diálogos tão delicados são do filme “Um Beijo Roubado”, com Norah Jones e Jude Law.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A vida é dura

C.C. tem apenas um ano de idade a mais do que eu. Quando descobriu isso ficou surpresa, mas não fez cara de chateada ou talvez porque tenha problemas tão mais importantes para se preocupar. C.C. mora em Águas Lindas de Goiás e trabalha na casa de meus pais de segunda a sexta-feira. Chega, religiosamente, às 7h. De sua casa até a de meus pais são quase 60km, o que de carro daria uma meia hora, mas C.C pega, todos os dias, uma condução antes das 6h para chegar às 7h em ponto no trabalho. E C.C tem dois filhos – um deles é o “Bombomzinho”, o qual não conheço, mas que sempre liga durante o dia - , ganha um salário mínimo e trava aquela batalha diária da sobrevivência que é um clichê tão grande quanto o número de pessoas que estão na mesma situação dela.

C.C. leva uma vida dura. Uma vida da qual a classe média desse país não tem ideia porque está bastante preocupada em resolver questões como quantas prestações vai comprar o carro do ano, em qual barzinho da moda vai desfilar as roupas compradas em um outlet de New York e quando vai sair a próxima promoção da CVC para os EUA.

Então, por tudo isso, é bem explicável que eu pareça mais jovem que C.C. Minha batalha diária se resume a resolver minha insatisfação filosófico-existencial. Tudo isso me faz lembrar do diálogo que li num livro sobre duas filósofas francesas contemporâneas: Simone Weil e Simone de Beauvoir. Na Faculdade de Filosofia, Beauvoir e Weil discutiam a Revolução. Beauvoir dizia que a solução para uma nova sociedade era “encontrar um sentido para a existência" e nesse momento Simone Weil retrucou: “Bem se vê que você nunca passou fome”. Boa resposta.