sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vival el pueblo


Às 9h10 do dia 11 de setembro de 1973, o então presidente do Chile, Salvador Allende, resultado da união das esquerdas chilenas, proferia à Radio Magalhães, debaixo da mesa de sua sala no Palácio La Moneda e sob bombardeio pesado de caças americanos, seu último discurso. Ele e mais de três mil pessoas pagaram com a morte a defesa de uma nova sociedade.


"(...)La historia es nuestra y la hacen los pueblos (...) Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor (...)", disse.

Allende, presente, agora e sempre.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Breaking news

- Nos Estados Unidos a cada sete segundos e meio uma família é desalojada de sua casa e 14.000 perdem o emprego por dia

- O juiz espanhol Baltazar Garzon - que condenou Pinochet por crime contra a humanidade - está sendo julgado por investigar o desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a ditadura do general Francisco Franco. Se perder, deixa de ser juiz

- Governo francês recomenda suspender os beijos no país para evitar Gripe A. Pouca gente anda atendendo à recomendação


Pra onde vai esse mundo, minha gente?!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Tempos de delicadeza...


Primeira cena

No fim da noite, a moça morena olha para o dono do café e pergunta:

- Por que você guarda todas essas chaves dentro de um vaso?

- As pessoas as deixaram aqui e nunca vieram buscar

- Me conte alguma história dessas chaves.

- Escolha uma

A moça morena pega a chave com uma abelha de pelúcia como chaveiro e entrega para o dono do café.

- Essa aqui era de um jovem casal que imaginou passar a vida inteira juntos

- E o que aconteceu?

- Vida

- Como assim?

- A vida passou e mudou tudo. Só isso

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A moça morena pergunta para o dono do café o que faz as pessoas deixarem as outras.

- Ás vezes é melhor não saber e outras vezes não há razão nenhuma. É como bolos e tortas. Todas as noites eu tenho aqui cheesecakes e a torta de blueberry. E no final da noite sempre sobra uma torta de blueberry inteira.

- O que tem de errado com ela?

- Nada. Ela simplesmente não foi escolhida...


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A moça russa pára em frente ao café e procura o homem.

- Por que você veio aqui?

Ela não responde, mas pergunta:

- Você ainda guarda todas aquelas chaves?

- Eu guardei pensando no que você disse uma vez sobre “deixar as portas abertas”. O único problema é que mesmo quando as portas estão abertas não significa que vá encontrar a mesma pessoa de antes...


Os diálogos tão delicados são do filme “Um Beijo Roubado”, com Norah Jones e Jude Law.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A vida é dura

C.C. tem apenas um ano de idade a mais do que eu. Quando descobriu isso ficou surpresa, mas não fez cara de chateada ou talvez porque tenha problemas tão mais importantes para se preocupar. C.C. mora em Águas Lindas de Goiás e trabalha na casa de meus pais de segunda a sexta-feira. Chega, religiosamente, às 7h. De sua casa até a de meus pais são quase 60km, o que de carro daria uma meia hora, mas C.C pega, todos os dias, uma condução antes das 6h para chegar às 7h em ponto no trabalho. E C.C tem dois filhos – um deles é o “Bombomzinho”, o qual não conheço, mas que sempre liga durante o dia - , ganha um salário mínimo e trava aquela batalha diária da sobrevivência que é um clichê tão grande quanto o número de pessoas que estão na mesma situação dela.

C.C. leva uma vida dura. Uma vida da qual a classe média desse país não tem ideia porque está bastante preocupada em resolver questões como quantas prestações vai comprar o carro do ano, em qual barzinho da moda vai desfilar as roupas compradas em um outlet de New York e quando vai sair a próxima promoção da CVC para os EUA.

Então, por tudo isso, é bem explicável que eu pareça mais jovem que C.C. Minha batalha diária se resume a resolver minha insatisfação filosófico-existencial. Tudo isso me faz lembrar do diálogo que li num livro sobre duas filósofas francesas contemporâneas: Simone Weil e Simone de Beauvoir. Na Faculdade de Filosofia, Beauvoir e Weil discutiam a Revolução. Beauvoir dizia que a solução para uma nova sociedade era “encontrar um sentido para a existência" e nesse momento Simone Weil retrucou: “Bem se vê que você nunca passou fome”. Boa resposta.

terça-feira, 25 de agosto de 2009


Sinto saudades do que eu não tive. Sinto falta do que eu não fui. Sinto a ausência de quem não esteve. Foi preciso uma vida inteira pra eu me tornar quem me tornei e ainda assim sinto as reticências... E agora?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cadê o Woodstock da minha geração?


Deu no New York Times: “À medida que as décadas se desenrolam, o festival (de Woodstock) parece mais do que nunca um golpe de sorte: um momento de graça, lamacento, despenteado e difícil de acreditar. Foi tanto um ponto final quanto um começo, um feriado de ingenuidade e sorte cega antes que as realidades do capitalismo retornassem.”


Pois às vezes fico esperando algo inesperado e louco acontecer pra mudar alguma coisa, um efeito borboleta qualquer, nem que seja em uma parte remota do mundo, um minuto do pensamento. E fico imaginando que há 40 anos umas 300 mil pessoas se jogaram na lama, no calor da liberdade e da contracultura pra ouvir Joan Baez, Santana, Jimi Hendrix, Joe Cocker, Janis Joplin. Pois não é que eles mudaram uma geração? E a gente, somos capazes de mudar nossa apática-insatisfeita-geração?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sem cair no poço


O ser humano não perdoa. Principalmente a si mesmo e o problema é que no final o que sobra é aquele poço sem fundo de culpa, desespero e frustração. Ai, se a tudo perdoássemos quantos dinheiros todos economizariam com psicólogos e terapias!!! Imagina, uma vida emocional sustentável !(que não sobra nada pra ninguém, nem culpa, nem acusação, nem decepção!)... Imagina se fosse fácil...

Pois quando eu era criança contava quantas vezes tinha perdoado alguém (porque a culpa não era minha nunca né) pra ver se chegava nas contas de Cristo (não foi ele quem falou pra perdoar 70 vezes 7 vezes?) e não chegava... Mas quando a gente cresce, descobre que difícil, mas difícil mesmo é perdoar-se, porque no fundo, nosso mundo exige uma perfeição que ninguém nunca vai ter, até porque o mundo é perfeito à maneira de sua imperfeição... E que afinal, não se trata de culpa, mas de responsabilidades a assumir...